Sitrampa reúne trabalhadores para debater demandas do serviço público municipal de Palhoça

O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Palhoça (Sitrampa) realizou, no último dia 24 de outubro, o 1º Fórum pelo Servidor Municipal. O evento surgiu de uma demanda dos próprios trabalhadores e trabalhadoras sobre temas que impactam diretamente a rotina diária nos locais de trabalho. Foram abordados quatro eixos temáticos relacionados a assuntos como o atual contexto dos serviços públicos, saúde e condições de trabalho, atuação jurídica do Sindicato e construção da Data Base. O encontro contou com a participação da presidente da CUT Santa Catarina, Anna Julia Rodrigues, além dos membros da direção do Sintrampa.

O presidente do entidade, Francisco Martins, ao abrir o evento, ressaltou que o Fórum foi pensado como um espaço para discutir de maneira democrática os anseios da categoria. O objetivo, explicou, é ampliar o diálogo e construir um sindicato capaz de unificar os trabalhadores, combatendo o individualismo muitas vezes existente no setor público. “É um momento bastante delicado e ao mesmo tempo importante para o movimento sindical. Queremos ser uma ferramenta de transformação, para, juntos, defendermos os direitos de todos os trabalhadores”, disse ele.

 

 

Eixos temáticos

O primeiro tema apresentado teve como foco a Análise sobre a atual condição do servidor público, considerando o cenário das Reformas Trabalhista e Previdenciária, e a consequente repercussão nos municípios, e foi abordado pelo dirigente da Fetram/SC, Lizeu Mazzioni.

Na avaliação do dirigente, a população, infelizmente, ainda não despertou para tudo o que está sendo feito pelo governo federal com o apoio do Congresso. Para ele, tais ações mudarão radicalmente o país e a vida da classe trabalhadora. Lizeu fez uma explanação a respeito dos meios de produção e o papel dos trabalhadores, partindo de aspectos específicos das esferas pública e privada. O dirigente da Fetram falou também sobre as características do uso da força de trabalho dos servidores públicos pelo Estado.

 

 

Situações e aspectos relevantes acerca das condições de trabalho e os reflexos na saúde do trabalhador público municipal foi o tema do segundo eixo de debate, apresentado pela psicóloga Graziele Justino, diretora dos profissionais da área Civil e de Saúde do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de São José (Sintram/SJ).

Para Graziele, é necessário, inicialmente, fazer uma reflexão sobre o que é ser trabalhador e o qual o significado de saúde. Apesar de não ser uma questão nova, diz ela, é preciso construir um conceito que contemple a amplitude do tema. “A saúde do trabalhador envolve muito mais do que simplesmente não estar doente. É tudo aquilo que está afetando o trabalho no dia a dia. Envolve o que e como o servidor está produzindo, as relações de trabalho, as situações de estresse. É uma pauta que se tornou urgente”, diz a psicóloga, ao afirmar que a questão deve ser considerada como uma política pública prioritária pelos governos.

 

O terceiro tema foi apresentado pelo assessor jurídico do Sitrampa, advogado Ramon Carmes, e teve como debate central A importância da atuação jurídica do sindicato em relação às conquistas em benefício do servidor.

Ramon fez uma reflexão acerca de como a atuação jurídica do Sindicato pode impactar diretamente na vida dos servidores municipais, que buscam por vias jurídicas a reivindicação de seus direitos. O advogado apresentou uma prévia dos processos concluídos e aqueles que estão em andamento. “Todos os direitos que o trabalhador pode exigir hoje, foram conquistados com anos de luta. Agora, esses direitos estão sendo retirados pouco a pouco a cada dia”, disse ele.

 

O quarto eixo serviu para dar início às discussões da Data Base 2020. O secretário Geral do Sitrampa, Everton da Silva Sotero, apresentou os principais pontos e explicou que no próximo ano, pela primeira vez na história do sindicato, haverá a construção formal de uma convenção coletiva dos trabalhadores no serviço municipal de Palhoça, conforme previsto em estatuto. Os servidores poderão fazer contribuições para inclusão de demandas até fevereiro do ano que vem. O documento deve ser concluído em março de 2020.

 

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